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Lista de títulos 24-11-2011
Informativo nº 20 - Ano I
UM DESAFIO: COMO ATRAIR PARTICIPANTES PARA PROGRAMAS DE EDUCAÇÃO PREVIDENCIÁRIA?

Estratégias baseadas em campanhas de incentivo e ferramentas online vêm obtendo bons resultados

Promover a educação previdenciária dos participantes ainda representa, para muitas entidades fechadas de previdência complementar (EFPCs), uma grande angústia. Os programas, geralmente, demandam equipe treinada para conduzir o processo e algum investimento financeiro. Além disso, exigem, muitas vezes, fortes modificações no planejamento de comunicação da entidade, reduzindo a importância dos tradicionais informativos impressos. Uma estratégia que vem dando resultados são campanhas, sorteios e outras ações para chamar a atenção do público-alvo e conscientizá-lo sobre a necessidade de planejar a aposentadoria.

"O assunto é muito duro e, sozinho, não desperta o interesse do participante. Não bastam palestras ou a distribuição de revistas sobre o tema. As campanhas com premiação, técnica usada para mobilizar pessoas e neste caso educar, são a melhor forma para fazê-lo compreender as vantagens da previdência fechada. As outras ferramentas de comuni- cação complementam todo o processo", assinala Leonardo Silva, diretor executivo do Par Relacionamento, empresa especializada na implantação de programas de educação previdenciária.

A plataforma online, por meio de computadores ou até de "torpedos" enviados para celulares, representa o meio mais eficiente para promover o ensino financeiro aos funcionários que aderem aos fundos de pensão. Em cases bem- sucedidos no setor, o participante é convidado a responder questionários sobre diversos temas, o que o torna candidato a "cenourinhas" como assinaturas de revistas, créditos no celular, viagens etc. Para chegar até as perguntas específicas, contudo, ele deve ler e interpretar textos sobre previdência privada e responder questões sobre o assunto. "Utilizando a internet, temos como medir quem lê nossos comunicados, mensagens e convites para participar das campanhas. O impresso, na maioria das vezes, não nos dá essa dimensão", observa Silva.

CONTEÚDO
Antes de colocar tais programas em prática, contudo, é preciso definir os aspectos da previdência complementar fechada que devem ser trabalhados durante todo o programa. No topo dos desafios, na opinião de Lauro Araújo, da área de Institucional Sales da J.P.Morgan, está a adequação da linguagem técnica financeira ao cidadão comum. "É preciso adequar a linguagem da previdência a um público totalmente heterogêneo. O programa deve enfatizar que as contribuições do empregador são extremamente vantajosas, para o empregador e o empregado, e deixar claro que o fundo fechado é mais vantajoso para o participante por ter uma estrutura de supervisão e controle maior e por apresentar, quase sempre, custos menores ao participante".

Também deve estar entre as prioridades do programa a conscientização para a responsabilidade da contribuição para a previdência fechada e a importância do planejamento financeiro. "Conceitos como renda disponível do participante, vida profissionalmente ativa e pós-carreira, acumulação de patrimônio, poupança, planejamento financeiro (e de gastos) e planejamento de aposentadoria devem ser igualmente reforçados ao longo de todo o processo", assinala Leandro.
Face à importância da combinação do programa de educação previdenciária com o planejamento de comunicação da entidade, Araújo não considera, entretanto, que esse processo substitua o relatório anual impresso: "Esse documento é uma maneira de informar à sociedade ou a um grupo de pessoas sobre como uma instituição específica utilizou seu orçamento e o que ela gerou de resultados. Sendo assim, a educação previdenciária fornece ao participante a capacidade para entender, analisar e questionar informações. Portanto, a educação previdenciária não substitui o relatório anual. Pelo contrário, eles são complementares. Informação sem educação não é relevante, tampouco educação sem informação."

RESULTADOS
Além de conscientizar o participante para a necessidade de formar uma poupança previdenciária e apresentá-lo aos benefícios oferecidos pela entidade, que outros resultados são esperados? Silva, do Par Relacionamento, explica que, depois de alguns anos de vínculo com a patrocinadora, é possível identificar participantes interessados em aumentar suas contribuições para os fundos de pensão. "O relacionamento entre o participante e a entidade melhora significativamente, porque aproxima e mantém a relação de confiança. Com mais conhecimento sobre o assunto, dificilmente o participante tomará uma decisão errada em relação ao seu plano de benefício. Além disso, o programa é fundamental num processo de fusão de empresas, porque facilita o entendimento das mudanças".

Até o momento, pouco mais de 40 entidades apresentaram, neste ano, seus programas de educação previdenciária ao governo. O número é crescente, mas ainda pouco significativo, considerando-se que há cerca de 370 fundos de pensão no País. Na avaliação de Silva, custos e falta de profissionais para comandar a operação explicam esse número acanhado. "O primeiro ano de implantação é o mais difícil, porque temos de conhecer o participante e traçar o diagnóstico. É preciso medir a carência de participação e de informações sobre o assunto. Há pouquíssimos resultados."