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Lista de títulos 24-08-2011
Informativo nº 17 - Ano I
A REVOLUÇÃO NO MERCADO ACIONÁRIO BRASILEIRO ESTÁ SÓ NO COMEÇO

Em palestra para as Associadas da APEP, o Goldman Sachs
Asset Management prevê muitas oportunidades para
os investidores em renda variável no médio e longo prazo


As Associadas da APEP tiveram a oportunidade, em 18 de agosto, de conferir as tendências da economia e do mercado de capitais, nos planos doméstico e internacional, sob a ótica de um dos bancos de investimento mais tradicionais do mundo, o Goldman Sachs, em atividade desde 1869. No evento, que garantiu aos participantes 2 créditos no Programa de Educação Continuada do Instituto de Certificação dos Profissionais de Seguridade Social (ICSS), a Head e CIO da Goldman Sachs Asset Management Brasil Ltda. ("GSAM Brasil"), Gabriella Antici, apresentou no Hotel Pulmann, em São Paulo, a palestra Revolução do Mercado Acionário Brasileiro. "Essa revolução está em curso desde 2004 e vem criando grandes oportunidades de investimento de longo prazo. Nesse período, 149 empresas realizaram operações de abertura de capital no Brasil, emitindo cerca de R$ 120 bilhões em ações", observou a executiva, assinalando que foi justamente o extraordinário crescimento dos negócios acionários no País um dos fatores que motivaram a inauguração, em 2008, da GSAM Brasil, como subsidiária da Goldman Sachs Asset Management (GSAM) na América Latina.

Alguns fatores vêm contribuindo, já há algum tempo, para o interesse das empresas pela bolsa. O principal é o crescimento da renda interna e a melhoria da sua distribuição, que garantiu o ingresso no mercado de consumo, desde o início do século, de 40 milhões de brasileiros antes pertencentes às classes D e E. Para atender a essa nova massa de consumidores – que, de quebra, passou a contar com linhas de crédito em volume nunca antes registrado no país – não há opção a não ser expandir a oferta de produtos e serviços. As fontes de recursos para isso, contudo, são poucas. "Se o empresário não tiver acesso a linhas do BNDES, a alternativa é recorrer ao mercado de ações. Financiamentos bancários convencionais não são viáveis, pois o juro brasileiro, não custa lembrar, é o mais alto do mundo", assinalou Gabriella.

Em setores com reduzida presença no pregão, as empresas que saem na frente e realizam IPOs (sigla, em inglês, para oferta pública inicial de ações) ganham, por conta desse capital acessível, uma vantagem apreciável sobre a concorrência. Levantamento realizado pela GSAM Brasil mostra que algumas companhias de varejo, construção civil e educacional bem-sucedidas neste processo cresceram, depois de seus respectivos IPOs, num ritmo muito superior à média de seus segmentos de atuação. "Ainda há muitos setores, com baixa penetração e participação de mercado fragmentada, cujas empresas terão de recorrer à bolsa para crescer. Um deles é o de educação, que tem um potencial enorme de crescimento, já que 80% dos brasileiros entre 18 e 24 anos não cursam faculdades, embora disponham hoje de mais renda; outro é o dos planos de saúde, que atende hoje apenas 23% da população", destacou a CIO.

A turbulência na economia internacional preocupa, mas, se o quadro se agravar, o Brasil deve sofrer muito menos do que os mercados de capitais da Europa e o norte-americano. Ao longo dos últimos dez anos, o país elevou de 11% para 15% sua participação em bolsas de mercados emergentes e, com certeza, seguirá como uma importante alternativa de investimento para os investidores internacionais, qualquer que seja o cenário.


CENÁRIO GLOBAL
Com 22 anos de experiência profissional como analista e gestora de fundos de ações e vivência internacional, em Londres e Nova York, Gabriella constata, em seu dia a dia, a surpreendente mudança no cenário econômico global no início deste século. No momento, assinalou, o crescimento global está e continuará a ser impulsionado pelas nações emergentes. Brasil, Rússia, Índia e China – o BRIC, expressão criada, aliás, em 2001 por Jim O'Neill, atualmente Chairman da GSAM –, ao lado de México, Coreia do Sul, Turquia e Indonésia, formam esse grupo denominado recentemente pelo próprio Jim O'Neill em sua recente tese de investimento como "Mercados em Crescimento" (do inglês, Growth Markets). "Estes oito países vão ganhar cada vez mais peso no PIB e no mercado global de ações", previu a CIO da GSAM Brasil. "A China é a grande salvadora da pátria, ou melhor, do planeta, pois segue crescendo a taxas elevadas e reduziu sua dependência das exportações – de mais de 40% para menos de 30% do PIB".

O Brasil aparece bem na foto. Seus indicadores econômicos, a exemplo de alguns estados como Pernambuco, crescem a passos semelhantes aos da economia chinesa, com o índice de desemprego em queda livre e a atividade econômica aquecida, o que deve lhe garantir a ascensão em breve do 7º para o 5º no ranking das maiores economias do mundo, medido pelo PIB. Além disso, o governo ainda dispõe de muita margem de manobra em relação à política monetária. "Só pairam dúvidas sobre o que poderá ser feito pelo governo em relação à política fiscal", ressaltou a CIO da GSAM Brasil.

As grandes incógnitas são as trajetórias das economias dos Estados Unidos e da União Europeia. Os norte-americanos – que temem recessões por conta do "crash" da bolsa em 1929 – já utilizaram as ferramentas de políticas fiscal e monetária, reduzindo a taxa de juros a 0% ao ano. "Nos Estados Unidos, o indicador a ser observado é o índice de confiança dos consumidores. Hoje, acreditamos que a chance de recessão oscila entre 25% e 30%", estima Gabriella.

Na Europa, a situação é muito mais preocupante. Lá, os clássicos recursos monetários e fiscais também já foram aplicados, mas a atitude das autoridades da União Europeia difere muito da adotada por seus pares norte-americanos. "Os governos europeus são reativos, e não ativos. Eles esperam acontecer para só depois reagir", ressaltou a executiva, que considera boa, mas improvável, a proposta de criação de uma união fiscal europeia. "França e Alemanha estão bem, mas terão que salvar os outros. A criação de uma união fiscal na Europa só seria factível se a crise econômica for muito mais intensa".