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Lista de títulos 05-07-2007
Emergentes trarão recursos ao País com grau de investimento

por Luciano Feltrin
Publicado no Diário de Comércio e Indústria



Consultores acreditam que, ao obter
melhora de classificação, o Brasil
receberá um significativo fluxo de
capitais de emergentes, em especial
do Chile

O ingresso do Brasil no grupo dos países com grau de investimento atrairá aportes estrangeiros, principalmente de fundos de pensão de países em desenvolvimento, em ativos nacionais. Segundo consultorias e gestoras de fundos nacionais e estrangeiros, o Chile deve ser um dos primeiros a transferir boa parte de seus investimentos para o Brasil, dada a escassez do mercado de capitais chileno em termos de ativos. Entidades administradoras de fundos, entre eles os fundos de pensão, e a própria Associação dos Fundos de Pensão de Empresas Privadas (APEP) estimam que o investment grade chegue para o Brasil em meados do ano que vem.

Para Marcelo Rabbat, sócio-diretor da consultoria Risk Office, os investidores estrangeiros já olham o Brasil como um mercado cujos principais fundamentos macroeconômicos são sólidos e confiáveis, compatíveis com grau de investimento.
“Investidores institucionais como fundos de pensão só podem investir em países com grau de investimento. Já havia o investimento de economias centrais destinados a emergentes. Agora, observamos um movimento de migração de recursos dos emergentes para outros emergentes. O Brasil será o destino natural da maior parte desses recursos”, afirmou Rabbat em recente evento para discutir o assunto. “As carteiras globais que investem em países emergentes destinaram à América Latina, no ano passado, de US$ 20 bilhões a US$ 25 bilhões. O volume certamente crescerá”, acrescentou.

A atração de recursos de países em desenvolvimento e em especial latino-americanos para o Brasil pode ser atribuída à escassez de ativos locais em nossos vizinhos. Um levantamento da Economática, que compara o volume financeiro médio diário de seis bolsas de valores da região (México, Colômbia, Venezuela, Chile, Peru e Argentina), reforça essa percepção. De acordo com o estudo, as bolsas desses seis países alcançaram, em junto deste ano, uma média diária de US$ 779 milhões em volume financeiro. O valor equivale a 38% do movimento da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), cujo valor médio negociado diariamente foi, no mês passado, de US$ 2,016 bilhões no mercado à vista.
Na opinião de Luiz Jurandir Simões de Araújo, consultor sênior da Mercer, o destino natural dos investimentos que chegarão ao País após a melhora da nota soberana de classificação de risco seria o setor de infra-estrutura. “Ninguém tem dúvidas de que portos, estradas e fontes de energia demandam muitos recursos. Porém, a segurança institucional precisa ser bastante aperfeiçoada, com uma política de Estado madura”, acredita Simões.

Chile

Países emergentes como o Chile, cuja legislação sobre fundos institucionais permite investimentos em ativos no exterior no limite de até 50% de seu patrimônio, são vistos pelos consultores e administradores de fundos como prováveis fontes aplicadoras de recursos no Brasil após o alcance de grau de investimento. “O Chile é um mercado pequeno, cujos investidores, entre eles os institucionais, deverão buscar opções fora do país para alocar os recursos obtidos com as exportações do cobre, o principal produto daquela economia”, diz Simões.

Recentemente, um estudo divulgado pela Merrill Lynch e da Capgemin indicou que a riqueza total dos indivíduos com alta renda líquida (HNWIs) da América Latina aumentou em 23,2% no ano passado, representando o mais rápido crescimento de qualquer região do mundo. O número de HNWIs na América Latina também aumentou em 2006 em 10,2%, com a Argentina, Brasil, Peru e Chile na liderança. Esse desempenho, de acordo com o levantamento, representa um aumento de 9,7% em relação ao número de indivíduos com alta renda líquida na região em 2005.
Para Marcelo Giufrida, presidente da BNP Paribas Asset Management Brasil, que administra patrimônio de R$ 626 bilhões no país, os fundos institucionais de todas as partes do mundo darão novo incremento ao volume financeiro do País após o alcance do grau de investimento. “Os fundos de pensão internacionais estão interessados em nossas ações. Isso embora o giro diário em renda fixa ainda seja maior internamente”, diz.