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Lista de títulos 01-10-2007
ROBERTO TEIXEIRA DA COSTA PREVÊ RETORNO
DOS DEMOCRATAS À CASA BRANCA E CENÁRIO FAVORÁVEL PARA O BRASIL PELO MENOS ATÉ 2008

Da evolução do mercado de capitais brasileiro à recente redução dos juros dos títulos públicos americanos, passando pelo crescente volume de investimentos estrangeiros no País e as perspectivas da sucessão do presidente George W. Bush, as Associadas da APEP tiveram o privilégio de assistir, na tarde de 24 de setembro, a uma verdadeira aula magna de economia e política, a cargo do economista Roberto Teixeira da Costa. Primeiro presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), no período de 1976 a 1979, e figura de proa na economia brasileira há meio século, Teixeira da Costa foi o palestrante convidado da mais recente reunião da APEP, realizada em São Paulo, na sede da Sul América Seguros, da qual o economista é membro do conselho de administração.

Depois de relembrar o período de criação e consolidação das estruturas do mercado de capitais do Brasil, entre as décadas de 60 e 70, Teixeira da Costa abordou a crise que há pouco abalou a economia internacional e só foi contida, em 18 de setembro, com a surpreendente decisão do Federal Reserve (Fed), o Banco Central dos Estados Unidos, de reduzir em 0,5%, para 4,75% ao ano, a taxa básica de juros americana. Para o economista, mais inesperada ainda do que a atitude do Fed foi a articulação deste com as autoridades monetárias de outros países. 'Nunca tinha visto uma ação coordenada dos bancos centrais em meus 50 anos de carreira. Isso pode significar que o problema é muito grave', observou, traçando um paralelo com o terremoto que abalou as finanças dos Estados Unidos e de todo o mundo no final dos anos 20. 'Muitos acreditam que o crash da bolsa de Nova York, em 1929, poderia ter sido evitado se o Fed intervisse.'

A missão de 'arrumar a casa' – que inclui encontrar uma solução para os créditos imobiliários de altíssimo risco, epicentro da recente turbulência – ficará a cargo do sucessor do presidente George W. Bush, que será eleito no próximo ano. Sucessor ou sucessora, pois o economista acredita que são grandes as chances de Hillary Clinton tornar-se, em 2009, a primeira mulher a tomar posse do Salão Oval da Casa Branca. Além da senadora pelo Estado de Nova York, Teixeira da Costa cita outro democrata como presidenciável de peso: o também senador, por Illinois, Barack Obama. Segundo ele, os republicanos – mesmo o popular Rudolph Giuliani, ex-prefeito de Nova York – não têm grandes probabilidades de vitória.

Ex-presidente e marido de Hillary, Bill Clinton mereceu elogios do convidado da APEP. Ele lembrou que Clinton 'deixou tudo redondinho', chegando ao final de seu segundo mandato, em 2000, com um superávit recorde de US$ 230 bilhões. O número equivale ao resultado alcançado por Bush no ano passado, só que com o sinal invertido. Mas nem por isso Teixeira da Costa acredita na adoção de medidas radicais com o eventual, e provável, retorno dos democratas ao poder. 'O mundo continuará financiando o déficit americano, não há opções', justificou.

Para o Brasil, as perspectivas são positivas. Pelo menos até 2008, pois 2009, assinala o economista, já será um ano eleitoral, ou seja, um período em que as paixões político-partidárias falam mais alto do que a racionalidade econômica. 'Nessas épocas, o que é razoável vira ruim, e assim por diante', ironizou. Ressalvas à parte, Teixeira da Costa mostra-se entusiasmado com alguns sinais emitidos pelo setor privado. Destaca, acima de tudo, o volume recorde de investimento estrangeiro no País, que somou US$ 26,4 bilhões de janeiro a agosto deste ano, superando até mesmo os números registrados durante o ciclo de privatizações ocorrido durante o governo de Fernando Henrique Cardoso.

'O curioso é que todo esse apetite dos investidores internacionais surge no momento em que o Brasil tem um governo de esquerda', observou, acrescentando que esse fluxo de capitais é conseqüência da iminente elevação do País à categoria de grau de investimento pelas agências de rating. 'A única dúvida a respeito da conquista do grau de investimento é quando ocorrerá, e será em breve. É natural, portanto, que o mercado antecipe essa melhoria de avaliação.'