AGENDA
Lista de títulos 30-06-2015
INFORMATIVO número 47 – ano IV
SEMINÁRIO APEP - DEMAREST – PERFIS DE INVESTIMENTO: SUCESSO ABSOLUTO

50 dirigentes de fundos de pensão participam do evento, que abordou desafios e oportunidades da diversificação do cardápio oferecido por EFPCs aos participantes

O Seminário APEP - Demarest Advogados – Perfis de Investimento, realizado em São Paulo, no último dia 25, alcançou sucesso total de crítica e público. Cerca de 50 dirigentes de fundos de pensão participaram do encontro, que contou com palestrantes de peso, casos de José Edson da Cunha Júnior, secretário-adjunto de Políticas de Previdência Complementar, e Amable Alejandro Traviesa Zaragoza Neto, coordenador-geral de Monitoramento de Investimento da Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc), além de executivos de entidades fechadas de previdência complementar (EFPCs). “A Associação dos Fundos de Pensão de Empresas Privadas, a APEP, e a Demarest estão de parabéns, pois este é o primeiro evento no Brasil a debater exclusivamente perfis de investimento”, destacou Daniel Lima, diretor de Administração e Investimentos da Odebrecht Previdência, que atuou como palestrante no primeiro painel do seminário, “Implantação de Perfis de Investimento – Experiências de EFPCs”.

Lima teve a companhia no bloco inicial, comandado por André Alarcon, sócio da Demarest Advogados, de dois colegas: Rogério Tatulli, diretor superintendente da Previ Ericsson, e João Carlos Ferreira, diretor da HP Prev. Os três cativaram as atenções da plateia ao exporem argumentos pró e contra a diversificação do cardápio oferecido por planos de complementação de aposentadoria. Logo de cara, Tatulli enumerou algumas das razões que levaram a Previ Ericsson, hoje com ativos da ordem de R$ 1,45 bilhão, a não adotar os perfis: falta de educação previdenciária, níveis inaceitáveis de educação financeira e riscos de judicialização, por conta de participantes insatisfeitos com desvalorizações de suas cotas. "Não somos contra, absolutamente, mas não temos perfis de investimento”, resumiu ele. “Cerca de 80% de nossos participantes têm preferência por ativos conservadores. Se é assim, podemos dar conta tranquilamente das aplicações."

Coube aos dirigentes da HP Prev e da Odebrecht Previdência fazer a defesa dos perfis de investimento, adotados por suas EFPCs em 1999 e 2014, respectivamente. Ambos, no entanto, reconheceram que são grandes os desafios para os administradores dos planos que seguirem tal caminho. Ferreira, cujo fundo de pensão oferece quatro opções, recomendou alguns cuidados essenciais. Exemplos: o controle do fluxo de caixa por perfil, programas contínuos e bem direcionados de educação financeira e previdenciária, o desenvolvimento de simuladores para os participantes e muito cuidado na escolha da nomenclatura dos perfis. “O ideal é evitar terminologias como 'conservador' e 'arrojado', para evitar leituras superficiais e de natureza comportamental, que não guardam relação necessariamente com as preferências dos participantes em investimentos”, explicou.

No caso da Odebrecht Previdência a opção pelos perfis foi ditada pela queda contínua dos juros reais nos últimos anos – a qual, tudo indica, terá sequência a médio e longo prazos. A EFPC mantém uma carteira à disposição dos participantes de gosto mais conservador, denominada Curto Prazo, totalmente centrada em ativos atrelados ao CDI, mas inovou ao criar três alternativas para quem pretende se aposentar daqui a cinco, dez e 15 anos, com os perfis Pós Carreira. O trio oferece em doses crescentes, proporcionais aos seus ciclos, níveis maiores de risco de início e tende, com o passar do tempo, a seguir o padrão da carteira Curto Prazo. “Desde que adotamos essa fórmula, meu telefone, que tocava sem parar até 2013, deu uma boa silenciada”, destaca Lima, referindo-se aos contatos de participantes preocupados com a retração dos juros reais.

Presidido por Juliane Barboza dos Santos, sócia da Demarest Advogados, o segundo painel, que teve como tema "A educação previdenciária no processo de implantação de perfis de investimento", manteve aceso o interesse do público. José Edson da Cunha Júnior, vice-titular da Secretaria de Políticas de Previdência Complementar (SPPC), deu uma dimensão do desafio a ser enfrentado por autoridades e EFPCs ao mencionar que o Centrus, o fundo de pensão do Banco Central, desistiu de implementar perfis de investimento, há alguns anos, por considerar insuficientes os níveis de educação previdenciária e financeira dos participantes de seus planos. "Há vários fatores que contribuem para essa desinformação, entre os quais o forte estímulo ao consumo em nossa sociedade", observou. Como solução, o palestrante defendeu a implantação de ações de comunicação de longo prazo, com o apoio dos patrocinadores. "Isso inclui o desenvolvimento de programas de bem-estar financeiro, atendimento personalizado, comunicação e pós-comunicação mais eficientes e adoção de linguagens mais simples e diretas, deixando de lado e desmistificando termos muito técnicos", assinalou.

Estas e outras soluções vêm sendo implantadas com êxito pela Associação Catarinense de Entidades de Previdência Complementar (ASCPrev). A organização surgiu em dezembro de 2009 com o objetivo expresso de desenvolver projetos integrados de educação financeira e previdenciária para seus 13 associados. O grande salto, segundo Vivian Awad, assessora de Comunicação e Marketing da ELOS – Fundação Eletrosul de Previdência e Assistência Social, ocorreu em 2012, com o lançamento do programa A Escolha Certa. A iniciativa, que conta com um portal na web, se estende a palestras, apostilas, cursos, revistas – já que muitos dos participantes dos planos não têm acesso ou não costumam usar computadores –, tiras em quadrinhos e até mesmo um robô, o K-PREV, que atua como a mascote do programa. “A atenção do nosso público, que se mostra crescente, é estimulada permanentemente com novas ações. O desafio é cortar a inércia, o acomodamento dos participantes dos planos”, assinalou a palestrante.

O último painel, presidido por Herbert de Souza Andrade, 2º vice-presidente da APEP, abriu espaço para um franco debate da plateia com a Previc. Coordenador-geral de Monitoramento de Investimento da autarquia federal, Amable Alejandro Traviesa Zaragoza Neto, lembrou que não há normas específicas do Conselho Nacional de Previdência Complementar (CNPC) sobre perfis de investimento. Ele observou, contudo, que basta às EFPCs se orientar pelo "Guia Previc – Melhores Práticas de Licenciamento", lançado em julho de 2012, que estabelece padrões de segurança para a prática. Entre as recomendações, Zaragoza apontou a oferta de um plano default, para os participantes pouco dispostos a aplicações de maior risco, além, claro, de um contínuo esforço para esclarecer e educar o público atendido pelas EFPCs. "Nosso sistema fechado de previdência é um dos mais sofisticados e competentes do mundo, mas precisamos aperfeiçoar a sua 'venda'", comentou o palestrante. "Uma boa referência nessa área são os Estados Unidos, que tornaram mundialmente conhecidos os planos 401K."

Após o encerramento dos trabalhos, Mário Ribeiro, presidente da APEP, comemorou o sucesso do seminário promovido em parceria com a Demarest Advogados. A Associação prevê a realização de novos eventos no segundo semestre com o intuito de debater outros temas estratégicos para o setor e está lançando uma campanha de adesão, que garante isenção para novas associadas até janeiro do próximo ano. "Dessa forma, pretendemos ganhar ainda mais força para empunhar nossa nova bandeira, a criação de uma vaga exclusiva para a representação dos patrocinadores no CNPC", afirmou Ribeiro.