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Lista de títulos 28-11-2012
INFORMATIVO número 33 – ano II
UMA NITERÓI DE POTENCIAIS PARTICIPANTES À ESPERA DE CONVENCIMENTO

Pesquisa revela que cerca de 500 mil empregados de patrocinadoras de EFPCs não aderem a planos fechados de complementação de aposentadoria

Regras e mais regras, controles aqui e acolá, rotinas para isso e aquilo, um relatório atrás do outro, auditorias por vezes desnecessárias... O excesso de burocracia a que estão submetidos os fundos de pensão sempre foi apontado, com propriedade, como um dos principais obstáculos ao crescimento do setor e, por extensão, da cobertura dos planos de complementação de aposentadoria, que contam hoje com 2,2 milhões de participantes. O governo federal precisa, sem dúvida, fomentar o segmento, cuja população se encontra estagnada desde o século passado, mas as entidades fechadas de previdência complementar (EFPCs) também têm uma lição de casa pela frente: convencer uma massa de empregados de suas patrocinadoras equivalente à população de Niterói a aderir aos planos de benefícios que lhes são oferecidos graciosamente.

De acordo com pesquisa realizada pela GAMA Consultores Associados e a Itajubá Investimentos, divulgada no início de novembro, um em cada cinco funcionários de empresas que contam com EFPCs não figura no rol dos participantes das entidades. Sóo cerca de meio milhão de cidadãos, número que corresponde ao total de moradores da ex- capital do antigo Estado do Rio, atualmente na casa de 487 mil habitantes. “A maioria dos fundos atribui esse gap à ausência de cultura previdenciária e à falta de visão de longo prazo”, comenta Antônio Fernando Gazzoni, diretor-presidente da GAMA.

Empenho para tentar atrair esses potenciais participantes é o que não falta. De acordo com o levantamento, que recebeu respostas de 100 a 120 entidades por pergunta, 72,36% dos entrevistados já desenvolveram estratégias para elevar o nível de adesão e 77;05% pretendem seguir na luta, em alguns casos reformulando as abordagens. O problema reside no arsenal utilizado para atingir o objetivo, que se resume, na maioria dos casos, a palestras, cartilhas, malas diretas e simuladores eletrônicos. “O dado preocupante é a falta de inovação nas ferramentas”, assinala Gazzoni. “Há entidades que estão adotando a adesao automática, no ato da contratação, enquanto outras resolveram criar novos planos, do zero, ou reformular os já existentes, mas essas são minoria.

Não por acaso, a incipiente educação previdenciária já se configura, para os gestores de EFPCs, como sério entrave à expansão da previdência fechada. Nada menos do que 29% dos entrevistados a elegeram como o maior desafio a ser enfrentado. O índice supera a escassez de profissionais qualificados (20%) e só fica atrás da velha burocracia (46%), que começa a ganhar uma concorrente de peso no papel de bruxa do sistema.