AGENDA
Lista de títulos 05-11-2012
INFORMATIVO número 31 – ano II

RENDA VARIÁVEL E CRÉDITO PRIVADO:
PRIORIDADES DOS FUNDOS DE PENSÃO

Com a acentuada queda da taxa Selic, entidades já diversificam carteiras de investimento, revela pesquisa

O cenário estava desenhado há pelo menos dois anos: a taxa Selic, todos sabiam, iria despencar das nuvens, obrigando os fundos de pensão a buscar novas opções de investimento. Pois o futuro chegou e os títulos públicos federais – em particular as Notas do Tesouro Nacional (NTNs) das séries B e C – estão perdendo rapidamente seu apelo junto aos gestores do segmento, que já estão diversificando a aplicação de recursos em ativos de maior risco. É o que revela a pesquisa Raio-X do Sistema de Previdência Complementar, elaborada em conjunto pela GAMA Consultores Associados e a Itajubá Investimentos, em junho, junto a cerca de 100 entidades fechadas de previdência complementar (EFPCs) com 80% do patrimônio e da população totais do setor.

Em meados do ano, as aplicações em renda fixa respondiam por 50,7% dos ativos totais dos planos de benefício definido (BDs) e 77,7% dos planos de contribuição definida e variável (CDs e CVs), com forte concentração em papéis públicos: 80,29% no primeiro grupo, 72,72% no segundo. Embora 62,5% dos BDs e 57,69% dos CDs e CVs sinalizassem com a manutenção de suas carteiras em NTNs, LTNs e LFTs nos 12 meses seguintes, essa fatia do bolo tende a encolher significativamente a médio prazo. Daqui a três anos, nada menos do que 61,49% dos BDs e 49,71% dos CDs e CVs projetam para os títulos federais percentuais iguais ou inferiores a 50% na composição total de seus ativos. “Nessa mudança de prioridades, já em curso, o que mais impressiona é o apetite por crédito privado”, destacou Carlos Garcia, sócio da Itajubá, durante a apresentação da pesquisa, no 33o Congresso Brasileiro de Fundos de Pensão, em São Paulo.

Tal opção, que sempre ocupou pouco espaço nas carteiras de investidores institucionais, já responde por 19,7% das aplicações de renda fixa de planos de benefício definido (BD) e 27,27% entre os planos de contribuição definida e variável (CD e CV) e tende a aumentar sua participação no bolo. Nada menos do que 55,71% dos BDs e 61,33% dos CDs e CVs pretendem alocar mais recursos nos próximos 12 meses em títulos privados. Até 2015, a perspectiva é de que esses papéis respondam por mais de 25% dos ativos totais de 32,26% dos BDs e 44,12% do CDs e CVs. “Essa demanda deve contribuir, e muito, para o fortalecimento do mercado secundário de títulos privados”, assinala Garcia.

No novo cenário, a renda variável também desperta interesse crescente entre os fundos de pensão. Em junho, as ações respondiam por 39,34% das aplicações dos planos BD e 14,92% dos CDs e CVs, com tendência de alta. No segundo grupo, 53,33% pretendiam aumentar suas posições, ante 35,82% do primeiro. A disposição, assim como o espaço para voos mais audaciosos, é maior entre os CDs e CVs: até 2015, 44,93% desses planos planejam concentrar de 20% a mais de 40% de suas carteiras em renda variável. “Há uma nítida preferência por papéis listados no Ibovespa e no IBR”, destaca Garcia.

O cardápio à disposição das EFPCs não vai muito além. Os investimentos estruturados – basicamente fundos de investimento em participações (FIPs) e fundos de investimento em cotas (FICs) – têm forte potencial de crescimento nas aplicações, tendência manifestada por 50% dos planos CDs e CVs e 37,1% dos BDs. Mas há um sério problema: a escassez de oferta. “É difícil encontrar opções no mercado. Há limitações de aporte e alguns fundos se encontram de portas fechadas”, comenta o sócio da Itajubá Investimentos.

Uma outra opção padece de reduzida demanda. São os investimentos no exterior, viabilizados pela Resolução 3.792 do Conselho Monetário Nacional (CMN). A inovação recebeu muitos aplausos em setembro de 2009, quando foi aprovada, e nada mais. “Os investimentos no exterior ainda não entraram na pauta das entidades. É uma pena, pois tais aplicações podem agregar retorno e diversificação”, observa Carlos Garcia.