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Publicado no jornal DCI - 20/set/2006

Fundo de pensão propõe novo modelo de gestão

FGV Previ sugere a gestão terceirizada, diversificação na política de alocações, visão de médio prazo e controle dos investimentos

O FGV Previ (fundo de pensão dos funcionários da Fundação Getúlio Vargas) está propondo um novo modelo de gestão dos recursos de fundos de pensão, particularmente os fundos de Contribuição Definida (CD).

William Eid Junior, integrante do Conselho Deliberativo do FGV Previ, explicou ao DCI as propostas que serão apresentadas durante evento promovido pelo Instituto Brasileiro dos Executivos de Finanças (Ibef-SP) hoje, em São Paulo. De acordo com Eid, o novo modelo leva em consideração uma maior interação entre o participante e o fundo de pensão.

Uma das propostas está relacionada à meta atuarial dos fundos. Para calculá-la, a FGV sugere que se leve em consideração a taxa de remuneração real dos investimentos, o período de contribuição, o crescimento salarial, o subsídio da patrocinadora, as contribuições adicionais, o período no qual o participante receberá a contribuição, o consumo do participante após a aposentadoria, a aposentadoria pelo Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) e o índice de inflação mais adequado para o participante e tributação.

“Levando em conta esses fatores, chegamos na meta composta pelo Indice de Preço ao Consumidor Amplo (IPCA), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mais 7% ao ano. Adotamos o IPCA porque outros índices como o IGP-M não refletem a variação do poder de compra do consumidor. Alguns fundos mais antigos ainda se baseiam no IGP-M" conta.

Outro ponto trata da visão de longo prazo que os gestores de fundos de pensão possuem, o que, segundo o integrante do Conselho Deliberativo da FGV Previ, mascara alguns problemas. “Adotamos uma visão de médio prazo, variando entre três e cinco anos. Neste período podemos rediscutir nossa política de investimentos dependendo das oscilações do mercado”, explica.

O FGV Previ também sugere a alocação em fundos de investimentos abertos, em contraposição aos fundos exclusivos. Nos fundos de investimento abertos, a patrocinadora e os participantes podem acompanhar de perto a evolução dos investimentos. “Além disso, por ser especializado em Finanças, analisei todos os fundos e pude escolher o que há de melhor no mercado. Também não há risco de complience”, ressalta Eid.

Hoje, a Fundação possui seis fundos de investimentos abertos, sendo quatro em renda fixa e dois em renda variável. “Outro diferencial adotado por nós é que não há expulsão automática do fundo caso a performance não tenha sido boa. Quem decide isso é o Conselho Deliberativo”, diz.

Diversificação

A diversificação da carteira de investimentos também faz parte da proposta apresentada pelo FGV Previ. “Nosso modelo propõe que a diversificação seja usada tanto como redutora de risco – motivo pelo qual a maioria dos fundos de pensão diversificam – quanto indutora de resultados”, conta.

Ele completa que, atualmente, os fundos de pensão estipulam um percentual de investimento em renda fixa e renda variável aos gestores e estes têm que comprar ou vender as posições para não ultrapassar o que foi estipulado pelo fundo. “Propomos um aporte fixo em renda variável de 15% dos recursos existentes e dos recursos que venham a ser incorporados ao fundo. Mas isso pode ser mudado de acordo com nossa visão de médio prazo”.

O FGV Previ possui mil participantes, sendo 2% a 3% beneficiários e o restante, contribuintes ativos. As alterações da gestão dos recursos foi submetida à aprovação da Secretaria de Previdência Complementar (SPC).

Paulo Tolentino, presidente da Associação dos Fundos de Pensão de Empresas Privadas (Apep), afirmou que as propostas apresentadas estão bem inseridas na realidade atual. “As práticas sugeridas são possíveis de serem vitoriosas. São bastante oportunas”, destaca.

Outro ponto comentado por Tolentino foi o monitoramento, pelo Conselho Deliberativo, do desempenho dos investimentos e resultados apresentados pelos gestores de recursos. Para ele, alguns fundos de pensão já adotaram alguns pontos das propostas apresentadas pelo fundo de pensão da Fundação Getúlio Vargas. “O cenário de redução das taxas de juros levou os fundos a uma reflexão da política de investimentos atual. Os fundos de pensão já estão se mobilizando para alcançar a satisfação em suas metas atuariais”, conclui o presidente da Apep.

O Ibef-SP realiza o encontro “Administração de Fundos de Pensão Fechados: A Proposta Inovadora do FGV Previ”, a partir das 18h30, na Av. Paulista, 2073.

VANESSA CORREIA